Se uma pessoa souber tudo o que existe numa enciclopédia, isso não fará dela um sábio. Se ler todos os tomos de filosofia, isso não fará dela um filósofo. Se estudar todo o ensinamento espiritual dos Mestres Ascensos, isso não fará dela um discípulo, um santo ou um mestre.

Na vida, quem quiser dominar, de fato, uma área do conhecimento, terá de praticar o que sabe, terá de exercitar-se e colocar à prova, na prática, o conhecimento teórico que estudou.
No universo do conhecimento espiritual também é assim.
A teoria, a informação, textos, cursos, podem ser alavancas usadas para iniciar e impulsionar o processo da busca do verdadeiro conhecimento, mas apenas isso. Para se chegar ao verdadeiro conhecimento espiritual é necessário que se pratique, dia após dia, até que ele seja realmente alcançado.
O conhecimento espiritual desvinculado da prática, da vivência, é estéril, além de ser passível de ser distorcido. Um ensinamento que não é praticado, geralmente é incompreendido.
Para se chegar ao verdadeiro conhecimento espiritual é preciso ser capaz de torná-lo vivo, ou ele se perderá.
O conhecimento aplicado torna-se sabedoria. A sabedoria está associada ao ato de aplicar de forma correta o conhecimento.
O homem, quando se propõe viver o verdadeiro conhecimento espiritual, aperfeiçoa-se nesse processo, aprimora-se, eleva-se, santifica-se.
O verdadeiro conhecimento faz com que ele busque substituir os aspectos inferiores da sua natureza humana pelos aspectos superiores da sua natureza divina, latente dentro do seu ser, num processo constante de santificação.
Esse processo é conhecido como “troca de vestes” e pode ser realizado em cada minuto da vida. A “troca de vestes” é o primeiro fruto do verdadeiro conhecimento espiritual.
O verdadeiro conhecimento espiritual é conquistado no íntimo da alma. Ele pode ser alcançado nos momentos mais simples e comuns da vida.
Ele pode ser acessado naquele momento precioso quando, em meio a uma mala de roupas para lavar, na agitação do trânsito no final do dia, ou à espera, numa longa fila, para ser atendido, algo imaterial é capturado pela atenção do buscador.
Então, um pequeno gesto, um olhar, uma simples palavra, podem revelar, com delicadeza, que algo do céu materializou-se ali, naquele coração, embora ninguém tenha percebido tal coisa.
Esse saber, assim incrustado na preciosidade do dia-a-dia, pode ser invisível e passar despercebido às pessoas em geral, mas é profundamente tangível nas mãos de quem o alcança.
Se uma pessoa encontrou a informação espiritual pela qual esperava, precisa agora decidir-se a torná-la viva na sua vida. Sem isso, terá a ilusão de ter encontrado a pérola preciosa. Mas na verdade, embora a tenha vislumbrado, não a possui.
Trechos de “A busca da pérola de grande valor”, Fátima Soraggi.

Gratidão

 Lúcia Rico

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